Censura: Livre
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Capitulo 8 Um poema para Jacob
Bella! Onde você andou? Procurei por você o recreio inteiro! — Rose parecia aflita e
Havia pouco tempo para conversar antes da aula de português. — Seu rosto está vermelho... O que houve?
— Nada... Acho que estou resfriada, Rose. Na saída, eu vou com você até o ponto de ônibus. Tenho uma coisa pra te contar que vai deixar você muito feliz.
— E eu também. Já não te disse que...
A fama do professor de português do colegial era de assustar. Diziam que ele era severíssimo.
Na certa aquela severidade não devia ser semelhante à do Brucutu, o terrível bedel-chefe. O professor seria daqueles exigentes, para quem um erro de concordância era tão grave quanto empurrar escada abaixo a cadeira de rodas de uma velhinha paralítica.
Rose estava ao meu lado, afora a vermelhidão, que já desaparecia, era impossível notar qualquer indício de tristeza na minha fisionomia. Ninguém sabia do vulcão que lhe queimava as entranhas, da vontade de gritar, de procurar alguém com quem pudesse dividir desolação.
Mas havia prometido. Eu ia segurar-vela, o cupido do encontro entre meu grande amor e minha melhor amiga. Ninguém saberia de nada.
"Será que alguém já passou por isso?", pensei.
Redação. Meu forte. Se somasse todas as médias de redação de meus oito anos de estudante, daria quase oitenta. O professo, falava sério, mas mansamente. Propôs que todos fizessem um texto, tema livre, de aquecimento.
Olhei para o lado de Rose vi um pavor. Todos sabíamos que a tal redação de aquecimento era o modo mais rápido de o professor conhecer as possibilidades de cada aluno.
Seria a primeira impressão, que definiria o aluno no conceito do professor. Como modificar depois uma primeira impressão desastrosa?
Sabia com a Rose era um desastre em uma redação adequada sorrir para dar confiança a minha amiga e comecei a escrever furiosamente. Em dez minutos, passei a folha de papel discretamente para Rose.
— Pegue. Copie com sua letra.
Bem, a redação de Rose já estava pronta. A amiga estava salva de se ver queimada com o professor logo no primeiro dia de aula. Agora, era a minha vez.
O tema era livre. Mas, que outro tema poderia passar pela minha cabeça, senão a figura idolatrada de Jacob? E estaria disposta a confessar no papel tudo o que sua expressão escondia?
“Idiota que fui”. Pensar que Jacob pudesse se apaixonar por mim, por mim, a gorducha...
Meus pensamentos queimavam por dentro, escrevi:
Quando você me beijou...
"Pensar que Jacob poderia ler nos meus olhos, através dos óculos, e enxergar lá dentro toda a paixão da gorducha iludida..."
Maquinalmente escrevia sempre a mesma frase:
Quando você me beijou...
"Apaixonar-se pela desengonçada, pela feiosa piadista... Ah, que piada! Com o rostinho de Rose à frente... com o corpinho de Rose nos braços... nem pensar!"
Quando você me beijou...
“Burra”! O que Jacob poderia encontrar em mim? A espinha amarela no nariz, como um aríete de pus abrindo caminho rumo à solidão?""
Quando você me beijou...
“O que ele veria”? O que todos vêem, além da gorducha iludida, da feiosa cretina? Edward tem razão. Eu acredito em tudo, como uma cretina. Acreditei até que Jacob poderia me amar.
Cretina! “Acreditei até naquele beijo...”
Quando você me beijou...
“Jacob...”
Vinda do fundo de seu desespero, uma lágrima solitária pingou sobre o papel.
— Isabella! Quem é Isabella?— o professor tinha dado por encerrada a redação.
— Sou eu.
O professor aproximou-se de mim com uma expressão que, com algum esforço, poderia ser chamada de sorriso.
— Meu colega da oitava série elogiou muitos seus textos, Isabella.
Quero começar por ele. Pode entregá-lo para mim?
A folha de redação passou para as mãos do professor e o arremedo de sorriso desapareceu na hora.
— O que é isto? Há apenas a mesma frase escrita várias vezes!
— É um poema concreto, professor. Assim como "Uma pedra é uma pedra", do Carlos Drummond de Andrade. O leitor deve completar o poema de acordo com suas próprias experiências, de acordo com suas lembranças de um beijo de amor...
Risadinhas discretas fizeram o professor erguer um olhar duro, controlador, para toda a classe.
— Uma explicação hábil. Hábil e espirituosa, Isabella. Mas que não passa de uma saída para desculpar a preguiça. A preguiça e a falta de respeito... E isto? Que marquinha redonda é esta?
— Faz parte do poema, professor. É o cuspe do namorado... Desta vez a gargalhada não foi contida e o olhar do professor, surpreso, não conseguiu transmitir autoridade. Tinha perdido o controle de uma classe pela primeira vez na vida.
— Começamos bem, não é dona Isabella? Mas temos um ano inteiro pela frente. Que tal abrir o boletim com um zero?
— Vamos ver se esta classe vai me dar trabalho. Você, mocinha, como é o seu nome?
— Eu? Rose...
— Posso ver a sua redação, Rose? Hum... A estrutura não está má... A idéia é forte... Breve, mas forte... Tem um ritmo que... Parece que me informaram errado. Quem sabe escrever nesta classe chama-se Rose...
A redação de Rose ganhou oito. Nove o professor só dava para ele mesmo, e dez, só para Deus.
— Ah, menina, que judiação! Estou morrendo de remorso. Eu tirei oito com a redação que você fez, e você tirou zero!
— Não esquente a cabeça, Rose. Eu dou um jeito naquele professor, pode crer. Na próxima, ele vai ter de me chamar de Deus e me dar um dez.
— Puxa oito em redação! Nunca tirei isso. Uma nota oito vezes maior que a sua, para duas redações feitas pela mesma pessoa...
— Além de redação, acho que você vai ter de rever a sua matemática, Rose. Oito vezes zero dá zero mesmo.
Ríramos-nos passeei o braço pelos ombros de Rose. Mais ninguém sabia que meu sorriso era uma imagem falsa daquela felicidade.
— Acho que nunca vou poder pagar tudo o que devo a você Bella. E não estou falando de redação. Estou falando de amor...
— Para mim, escrever também é um ato de amor, Rose. Quem escreve ama aquele que vai ler quer conquistar o amor daquele que vai ler.
"Só que Jacob nunca lera o que eu escrevi para ele. Nunca saberá do meu amor. Não há esperança", pensava atrás do sorriso.
— Você é muito adulta, Bella. Adulta demais...
— É que eu tenho sessenta anos, Rose. Mas sou conservada. Agora deixe de bobagem e continue com o amor e suas dívidas... Ou dúvida, sabe lá.
— Nada de dúvidas! Eu estou apaixonada mesmo. Gamada, caída! A melhor coisa que aconteceu na minha vida foi você ter me convidado para aquela festa. Conhecer Jacob foi...
Estava com uma expressão mais interessada do mundo, ouvi todo o relato da minha amiga. Estavam no ponto do ônibus, cheio de gente, e Rose falava baixo, como segredo, como culpa como num confessionário.
Descrevia cada passo daquela noite inesquecível, cada dança, a pressão do rosto de Jacob junto ao seu, as palavras sussurradas ao ouvido.
O único segredo que faltava era Jacob debruçando-se sobre mim no jardim. O único segredo que faltava era aquele beijo. Mas Rose nunca deveria saber disso. Por que estragar-lhe a felicidade? Bastava que uma das duas fosse infeliz.
— Nos braços dele, eu...
— Meu único medo, Bella, é que, para ele, eu não tenha passado de um presente de aniversário, de diversão para uma noite. Mas eu quero aquele garoto! Nem sei o que ele pensa de mim, mas é ele que eu amo. Preciso me encontrar novamente com ele!
— Que tal amanhã, às quatro horas, em frente ao cinema, na esquina da...
— O quê?! De que você está falando?
— Bobinha! Eu não disse que tinha uma novidade que ia fazer você cair para trás? Pois esta é a novidade.
— Você... Você falou com Jacob? Sobre mim?
— É claro que falei. Nós somos primos, não somos? Somos confidentes...
— O que foi que ele disse? O que foi que ele disse Bella?
Sorrir, gozando carinhosamente a ansiedade de Rose.
— Hum... Mais ou menos o que diria Abelardo sobre Heloísa...
— Isso foi numa novela? Não assisti...
— Ah, Rose, isso não é novela de televisão...
— O que ele disse Bella?
— Acho que você vai preferir que ele repita tudo pessoalmente, não vai? O importante é que ele quer encontrar-se com você. No cinema. Amanhã às...
— Ai, ai, ai! A minha mãe...
— Diga que você vai ao cinema comigo. Passo na sua casa lá pelas três e meia. Eu tenho mesmo de dar um pulo numa livraria. Na saída do cinema nos encontramos e voltamos juntas.
— Você é um amor, Bella. Não sei o que eu faria sem você. Amanhã de manhã, no colégio, diga ao Jacob que...
— Eu? Não acha melhor você mesma dizer?
— Não sei se poderia Bella. Quando eu o encontrar, vou ficar muda como uma porta!
— Então escreva um bilhete. Basta sorrir e colocar o bilhete na mão dele.
— Eu bem que gostaria. Ah, se eu pudesse, eu colocaria nesse bilhete tanta coisa, como se...
— Como se o bilhete fosse um buraco de fechadura através do qual Jacob pudesse conhecê-la melhor por dentro.
— É isso! Você sempre diz as coisas certas, Bella.
"Eu também tenho um buraco de fechadura, Rose. Mas Jacob quer espiar pelo seu...”.
— Comigo é diferente. Eu sou burrinha, Bella. Cristiano haveria de rir de um bilhete escrito por mim. Logo ele, que sempre foi o primeiro da classe. Não é isso o que dizem?
— Pelo menos foi isso que a mãe dele disse para a minha.
— Eu não posso bancar a burra com ele, Bella. O que eu vou fazer? Por favor, me ajude!
— Como hoje, na aula de redação?
Abrir o fichário lá estava à folha, com o poema feito na aula de física:
Nos teus braços me abandono,
Ao teu lado sou mulher...
"Você vai receber o meu poema, Jacob...”.
— Aqui está, Rose. Um texto de meu estoque. É só copiar com sua letra e colocar seu nome. Tudo o que você quer dizer ao Jacob está aí.
Rose pegou a folha, meio em dúvida.
— Como pode ser? Eu... Nem sei o que dizer...
"Você nunca sabe o que dizer minha querida...", em pensamento, eu gozava a amiga.
— Pode deixar que eu diga por você.
— Mas... Será que o que está escrito aqui serve para o Jacob?
— Como uma luva.
O ônibus encostou-se àquele momento e começou a engolir a fila de estudantes.
— Obrigada, Bella. Você é demais!
— Corra se não, você perde o ônibus.
— Passe na minha casa as três, não quero me atrasar.
— Tchau, amiga.
Fiquei vendo o ônibus se distanciar, levando minha amiga, sua rival, e a declaração de meu amor, de seu carinho, que serviria para aumentar ainda mais a paixão de Jacob por Rose.
"O condenado à forca prepara sua própria corda..." e o pensamento de oscilava entre a resignação e o desespero.
De uma janela do ônibus, a carinha de Rose a surgiu, jogando um beijo.
— Eu te adoro, Bella!
Sorrir e devolvi o beijo. Agora sem ninguém olhando deixei umas lágrimas represadas por meu orgulho.
"Todos me adoram... E quem me ama?"
Capitulo 8 Na escuridão do laboratório
- Senhorita Ilusão! Que ótimo reencontrar você!
O sinal para o recreio tinha acabado de soar, eu corria em direção laboratório. Mas no meio do corredor, a figura de um rapaz me deteve, sorrindo e olhando-a bem de frente, bem nos olhos.
— Hein?
— Não se lembra de mim, senhorita Ilusão? Afesta de sábado, o aniversário de Jacob...
Sou o Edward, lembra?
— Oi, Edward. Desculpe, mas...
— Quer dizer que você estuda aqui? Que sorte! Acabo de me transferir para o terceiro ano e talvez...
— Desculpe Edward. Estou com uma pressa danada. Depois a gente conversa, ta?
— É... Dizem que a ilusão é como uma ave que vem e vai. Só que eu não gostaria de perder a ilusão, entende?
— Tchau, Edward...
Certifiquei de que não havia ninguém olhando e entrei silenciosamente no
Laboratório. Fechei a porta sem um ruído e esperou que a visão se acostumasse ao escuro. As janelas do laboratório eram cobertas com cortinas pesadas para proteger da luz os produtos químicos. Um lugar ideal para um encontro de namorados.
Aos poucos, com a fraca luz que se filtrava através das cortinas, pode perceber as estantes envidraçadas, cheia de frascos contendo formas assustadoras conservadas em formol.
Uma enorme cascavel, com seus guizos, flutuava num líquido avermelhado por seu próprio sangue. Ao lado, uma caranguejeira peluda movia-se lentamente numa gaiola de vidro.
A cobra, a aranha, o sangue... Sentir um calafrio percorre a minha espinha e, por um momento duvidei que aquele lugar fosse adequado para o inicio do meu namoro.
Por um momento, tive medo do encontro com Jacob.
Mas o temor transformou-se em ansiedade quando percebi o ruído suave da porta que se abria.
— Priminha! Oi, priminha! Você está aí?
Eu sorri e deixei passar um tempo de suspense, antes de responder com a voz mais suave que conseguiu fazer:
— Estou aqui, meu querido...
Jacob guiou-se pela voz e veio abraçar me deu apertado, como da primeira vez. E, como da primeira vez, beijou-lhe o rosto com um estalo.
— Priminha querida! Foram os anjos que me fizeram reencontrar você!
"Claro! Os anjos sempre ajudam os semelhantes, meu querido...", pensei sem vergonha de sorrir embevecida, porque a penumbra era um disfarce perfeito. Era mais. Era uma fantasia.
— Há quanto tempo não nos vemos priminha... Desde crianças. Mudamos muito, não é verdade?
"Você foi à lagarta que virou borboleta, meu amor...", pensei.
— Você ficou uma lindeza...
"Vem, borboleta, vem cá depressa, asas douradas, me carregar. Vem, vamos juntos, num céu sem túneis, buscar caminhos só de nós dois...", num turbilhão, os pensamentos explodiam em versos dentro da minha cabeça.
— Tanto tempo... Mas eu nunca me esqueci de você... "Catar o pólen, fazer a cera, colher futuros, mexer o mel. Deixar passados, erguer castelos, juntar o antes com o depois... Droga! Isso não é hora de fazer poesia. É hora de viver poesia!"
— Me lembro muito bem... Você ficava uma gracinha de óculos!
"Tolinho! Eu não usava óculos quando era criança...", ri por dentro.
— Eu me lembro... Suas trancinhas... "Ah, Jacob... eu nunca tive trancas...”.
— Como foi bom reencontrar você, priminha... Isso mudou a minha vida...
"A minha também, meu amor...”.
— Era isso que eu queria falar com você... Jacob nem sei como começar...
"Abrace-me, meu querido, me abrace que eu espero a vida inteira...”.
— Isabella, eu estou apaixonado... "Por mim, boneco, pela sua Bella...”.
— Nem sei dizer... Já houve outras garotas, mas, agora... “Agora sou eu, Jacob”. “Meu Jacob!”
— Agora é diferente. Eu sei que é amor... "Por mim..."
— Nunca me senti desse modo. Por isso eu sei que só pode ser amor...
"Por mim..."
— Estou apaixonado... "Por mim, Jacob!"
— Por Rose, Isabella...
A aranha encolheu-se na gaiola de vidro e a escuridão do laboratório pareceu crescer, como se tivesse anoitecido subitamente, apagando a imagem de Jacob, arrancando Jacob do meu alcance.
"Rose? Ele ama Rose? E eu, meu amor, e eu?"
— Ah, priminha, como foi maravilhoso você ter levado Rose à festa. Rose é linda... é assim como... Eu caí por ela na hora... Ela é... Nem sei como dizer... Se você soubesse quanto me fez feliz...
"Ah, Jacob, se você soubesse quanto me destruiu...”.
— Quero que você seja a madrinha do nosso namoro, Isabella. Quero dividir nossa felicidade com você.
“Jacob, não faça isso comigo. Acuda-me, me salve Jacob...", sem poder explodir em protestos, o pensamento de Isabela caía de joelhos.
— Você vai ajudar o nosso amor, priminha. Eu lhe peço que... Eu lhe peço que fale com Rose e combine um encontro para amanhã à tarde. Você me ajuda? Vamos, priminha, prometa que vai nos ajudar!
— Eu? Sim... É claro, primo. Eu... Eu prometo...
— Isso, priminha! Diga a Rose que eu vou esperá-la as quatro, em frente do cinema, na esquina da...
— Um cinema? É que a mãe da Rose é tão...
— Diga que vocês vão juntas ao cinema, priminha. Por favor, eu estou voando de felicidade.
Ajude-me!
"E eu estou afundando, Jacob, estou me afogando... acuda-me... salve-me, meu amor..."pediu a menina em pensamento.
— Você prometeu Isabella.
— É claro, primo, eu prometi...
— Posso contar com você?
— Pode contar comigo...
— Eu te adoro, priminha!
Abaixei a cabeça na hora de ganhar o beijo estalado, prêmio de consolação para a cretina que acreditava na ilusão. Assim, o beijo marcou-lhe a testa Jacob não senti o gosto salgado dos filetes de derrota que escorriam pelo meu rosto.
"Jacob, não era essa adoração que eu queria... Eu queria o seu amor, eu queria você, Jacob... meu amor...”.
Fiquei sozinha, com a escuridão que tomava conta do meu ser.
Meus olhos molhados me sentaram debaixo de uma mesa a dor era imensa não conseguia para de chorar queria que me levasse para um mar distante, escondendo sob toneladas de águas salgadas como lágrimas.
“O que aconteceu”? Como isso foi acontecer? Jacob, você não podia fazer isso comigo...
Não me mate, meu amor... Não mate o meu amor... Com a Rose? Logo com a Rose, minha melhor... Não, com a Rose, não, com outra garota, não, Jacob... Ame-me, por favor... Ame-me como eu te amo, meu amor... Por que você não pode me amar? Se eu te amo tanto...
Ninguém poderá te querer como eu, Jacob, minha paixão, meu primo, minha vida... Por que você me beijou daquele jeito? Por que tanto, Jacob? Por que eu estava ali, à mão? Nada disso, não pode ter sido só por isso.
Aquele beijo era de verdade, Jacob, eu senti que era de verdade... “Eu ainda sinto meu amor...”.
Ouvir um ruído suave na porta me fez emergir em desespero. Seria ele? De volta para contar que tudo não passara de uma brincadeira? Que Rose não importava e que era eu que ele amava?
Mas, mesmo na penumbra, mesmo com os olhos afogados pela desilusão, dava para perceber que o vulto estava de branco. Talvez o guarda-pó do encarregado do laboratório.
Escondi-me ainda mais me fundindo nas sombras Não! Ninguém podia me ver naquele estado. Não! A não ser o seu grande inimigo, ninguém, jamais, a vira num estado como aquele.
O vulto aproximou-se de uma das estantes. Pegou um frasco, tirou algo de dentro, guardou-o e saiu rapidamente do laboratório.
Quando a campainha soou, anunciando o final do recreio, sequei o rosto e me pus em pé, aproximei e li distraidamente o rótulo do frasco que o vulto de branco pegara:
Linamarina...
“Isso tem nome de mulher”. Lina e Marina. Duas mulheres... O que será isso? Será que é costume esfacelar os sonhos de garotas apaixonadas e guardar aqui o pozinho que sobra? Daqui a pouco, acho que vai haver um novo frasco com o rótulo ISABELLA “... Glicosídio cianonitrila.
”Química”! Uma ciência de palavrões. Bem, vou aprender todos eles antes que o ano termine.
“Chega de palavras carinhosas.”
Enxuguei melhor, arrumou a roupa, o cabelo e decidiu-se:
“Vamos lá, Bella”. Vamos rir e fazer os outros rirem. Como sempre. Ninguém tem nada com a sua vida, Isabella. Nem com a sua morte. Eu prometi. Agora vou cumprir minha promessa.
“Vai cretina! Vamos ajudar a liquidar a sua própria ilusão!”
Estava calma quando sai do laboratório. Mas, dentro da gaiola de vidro, a aranha peluda sacudia-se loucamente.
Capitulo 6 A primeira marca
Capítulo 3 Lindo com um deus